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Out of topic: Justiça

Posted by Flor de Lotus on 02:23
Hoje saio um pouco do tema corporativo para falar de um assunto que está em todos os jornais e na boca de todos os que ainda conseguem comentar o assunto. Perdoem, mas preciso comentar.

Acredito que a comoção pública é algo necessário e importante. Ela grita algo que é o desejo da população e faz a voz por justiça que fica na garganta calada de muitos. Por vezes é ela que impulsiona a decisão desejada pelas pessoas ditas comuns, mas que normalmente as incomuns demorariam a tomar.

Ocorre, porém, que a excessiva comoção em torno do caso Isabella Nardoni me assusta. Várias pessoas fazendo plantão na porta da delegacia no dia do depoimento dos envolvidos com seus gritos de guerra, acompanhando tudo como se sua própria vida dependesse daquilo. Ou na porta do prédio onde os acusados estavam aguardando sua prisão preventiva como quem assiste a final de um jogo de futebol. Julgando e condenado antes mesmo que a polícia conseguisse concluir o inquérito. Cuspindo agressividades como que grita gol.

Claro que também tenho minha opinião sobre o caso. Claro que também quero justiça. E como grande fã de CSI, fiquei orgulhosa de a polícia usar provas técnicas para indiciar o pai e a madrasta da menina. Como se diz no seriado mencionado, as provas não mentem. Mas daí a ficar em praça pública torcendo e vibrando com as cabeças sendo cortadas pela guilhotina, aí é demais pra mim. Sinto uma coisa bárbara, primitiva, nessas reações populares exacerbadas. E me preocupa porque me pergunto – tal qual os investigadores do crime – o que motiva essa revolta ancestral.

A resposta para mim parece simples e óbvia. E até um pouco reconfortante. Foi um crime bárbaro envolvendo uma criança. E crianças não devem passar por isso. Elas devem crescer, se desenvolver e ter chances de ser felizes. Mas apesar disso, várias crianças morreram de dengue e ninguém se revoltou assim, salvo os parentes dos mortos. O que revolta nesse caso é o fato de o pai ser acusado de matar a própria filha. A sociedade não consegue aceitar isso. E o que me conforta é que se não somos capazes de aceitar isso e porque ainda temos salvação nesse nosso louco mundo.

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Iniciativa

Posted by Flor de Lotus on 16:13

Cansamos de ouvir dizer hoje que os colaboradores de uma empresa devem ter iniciativa como uma de suas competências chave. Somos perguntados sobre isso em entrevistas de seleção, que chegam a nos testar citando situações e nos perguntando como agiríamos. Somos cobrados por isso depois de contratados. Somos avaliados por isso. Mas embora iniciativa esteja quase sempre descrita em uma bela competência que geralmente menciona tomade de decisão, avaliação de riscos, responsabilidade e outras palavrinhas tão comuns na linguagem corporativa, o que diabos realmente significa iniciativa?

Segundo o dicionário on line Priberam (http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx):

iniciativa (s. f.) - acto daquele que é o primeiro a propor ou a pôr em prática uma ideia; por ext. actividade; diligência.
No Xadrez, significa o conceito estratégico segundo o qual um dos bandos está em condições de exercer pressão sobre o outro, mediante ameaças ou a preparação de um ataque. Diz-se que as brancas, por disporem do tempo de saída, têm a iniciativa natural, ou "pequena iniciativa" (www.clubedexadrez.com.br/portal/capelaxadrezclube/vocabulario_tecnico.htm)

E pro seu chefe? O que será que significa? Pois já vi mais de uma vez uma pessoa ser cobrada por iniciativa e, quando tem uma, ser questionada sobre isso com frases do tipo: Mas por que você fez isso sem me consultar? De onde se conclui que para alguns chefes iniciativa significa ter idéias, consultar o seu superior imediato e, se forme boas, deixar que ele as implante e carregue os louros. Ou que apenas aprove antes que você faça qualquer coisa.

Muita gente também confunde iniciativa com começar as coisas, mas iniciativa pressupões a tal da acabativa também, parodiando Stephen Kanitz, que reproduzo abaixo. Divirtam-se...

Isto é um teste de personalidade que poderá alterar
a sua vida. Portanto, preste muita atenção.
Iniciativa é a capacidade que todos nós temos de criar, iniciar projetos e conceber novas idéias.
Algumas pessoas têm muita iniciativa e outras têm pouca.
Acabativa, é um neologismo que significa a capacidade que algumas pessoas possuem de terminar aquilo que iniciaram ou concluir o que outros começaram. É a capacidade de colocar em prática uma idéia e levá-la até o fim.
Os seres humanos podem ser divididos em três grupos, dependendo do grau de iniciativa e acabativa de cada um: os empreendedores, os iniciativos e os acabativos - sem contar os burocratas.
* Empreendedores são aqueles que têm iniciativa e acabativa. Um seleto grupo que não se contenta em ficar na idéia e vai a campo implantá-la.
* Iniciativos são criativos, têm mil idéias, mas abominam a rotina necessária para colocá-las em prática. São filósofos, cientistas, professores, intelectuais e a maioria dos economistas. São famosas as histórias de economistas que nunca assinaram uma promissória. Acabativa é o ponto fraco desse grupo.
* Acabativos são aqueles que gostam de implantar projetos. Sua atenção vai mais para o detalhe do que para a teoria. Não se preocupam com o imenso tédio da repetição do dia-a-dia e não desanimam com as inúmeras frustrações da implantação. Nesse grupo está a maioria dos executivos, empresários, administradores e engenheiros.
Essa singela classificação explica muitas das contradições do mundo moderno.
Empresários descobrem rapidamente que ficar implantando suas próprias idéias é coisa de empreendedor egoísta. Limita o crescimento. Existem mais pessoas com excelentes idéias do que pessoas capazes de implantá-las. É por isso que empresários ficam ricos e intelectuais, professores - entre os quais me incluo - morrem pobres.
Se Bill Gates tivesse se restringido a implantar suas próprias idéias teria parado no Visual Basic. Ele fez fortuna porque foi hábil em implantar as idéias dos outros - dizem as más línguas que até copiou algumas.
Essa classificação explica porque intelectual normalmente odeia empresário, e vice-versa. Há uma enorme injustiça na medida em que os lucros fluem para quem implantou uma idéia, e não para quem a teve. Uma idéia somente no papel é letra morta, inútil para a sociedade como um todo.
Um dos problemas do Brasil é justamente a eterna predominância, em cargos de ministérios, de professores brilhantes e com iniciativa, mas com pouca ou nenhuma acabativa. Para o Brasil começar a dar certo, precisamos procurar valorizar mais os brasileiros com a capacidade de implantar nossas idéias. Tendemos a encarar o acabativo, o administrador, o executivo, o empresário como sendo parte do problema, quando na realidade eles são parte da solução.
Iniciativo almeja ser famoso, acabativo quer ser útil.
Mas a verdade é que a maioria dos intelectuais e iniciativos não tem o estômago para devotar uma vida inteira para fazer dia após dia, digamos bicicletas. O iniciativo vive mudando, testando, procurando coisas novas, e acaba tendo uma vida muito mais rica, mesmo que seja menos rentável.
Por isso, a esquerda intelectual e a direita neoliberal conviverão as turras, quando deveriam unir-se.
Se você tem iniciativa mas não tem acabativa, faça correndo um curso de administração ou tenha como sócio um acabativo. Há um ditado chinês, "Quem sabe e não faz, no fundo, não sabe" - muito apropriado para os dias de hoje.
Se você tem acabativa mas não tem iniciativa, faça um curso de criatividade, estude um pouco de teoria. Empresário que se vangloria de nunca ter estudado não serve de modelo. No fundo, a esquerda precisa da acabativa da direita, e a direita precisa das iniciativas da esquerda. Finalmente, se você não tem iniciativa nem tampouco acabativa, só podemos lhe dizer uma coisa: meus pêsames.
Stephen Kanitz é administrador por Harvard (www.kanitz.com.br)
Editora Abril, Revista Veja, edição 1572, ano 31, nº 45, 11 de novembro de 1998, página 22

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Como as pontes são necessárias

Posted by Flor de Lotus on 15:18

Hoje é dia 22 de abril, no meio de dois feriados. Estou trabalhando, mas o dia corre preguiçoso. Aliás, corre é o que eu queria que acontecesse. Na verdade, se arrasta. O trânsito estava bom, claro. Mas no mais a cidade segue um pouco lenta, fantasmagórica até. Não acho que tantos feriados sejam bons para o país, que insiste em manter as tradições, incluindo a de não crescer... Porém, não seria excelente se pudéssemos trabalhar a distância em datas como essa? Ficaríamos mais satisfeitos de poder, no meio do dia de trabalho, almoçar com a família. Daria ate’, quem sabe, para tirar a sesta antes de voltar à labuta. Sem contar que economizaríamos o gasto de transporte, enquanto a empresa economizaria em luz, telefone, água, etc... Claro que trabalhar em casa requer disciplina e nem todos se adaptam. Há de ter uma boa noção de que, embora em casa, a coisa é séria e os horários devem ser planejados e respeitados. A flexibilidade não pode gerar confusão, e quem trabalha em casa precisa fazer com que os outros habitantes entendam e respeitem sua rotina. Eu mesma acho que seria uma excelente idéia, mas de vez em quando. Preciso ver gente, sabe? Preciso trocar idéias com outras pessoas, preciso de risos e olhares. Sou carente... mas também adoro poder me concentrar sem ter que colocar fones de ouvido por conta do barulho dos outros. E, sobretudo, adoraria poder acordar às 8:45 para começar a trabalhar às 9:00 na sala da minha casa!
Por enquanto, como não posso fazer isso, vou me resignando a esse dia devagar e vazio, chuvoso e chato, trabalhando no escritório mesmo...

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O que é isso, companheiro?

Posted by Flor de Lotus on 17:12

Você já se sentiu traído em sua empresa? Ou pelo menos meio burro? Incompreendido? Do tipo que leva esporro sem motivo da pessoa que te pediu para fazer algo – que você fez, no prazo – mas não era o que ela esperava? Ah, claro, acontece com todo mundo. Na maior parte das vezes o caso é de falha de comunicação. Como naquela brincadeira inocente chamada telefone sem fio. Só que no trabalho normalmente não tem graça nenhuma a distorção da frase...
Ok, sobrevivemos e aprendemos com isso, certo? Passamos a perguntar mais, alinhar, confirmar. O chefe te pede pra fazer a planilha xpto. E você diz: chefe, você quer dizer que quer que eu faça a planilha xpto? Parece coisa de retardado, mas nem sempre é simples assim. Mistérios da comunicação, que tem sempre umas áreas cinzentas, que estão na mente de quem pede mas não em seu discurso (e nem nos ouvidos de quem faz o que se pede). Vale confirmar sempre, o tal do double check. Até porque, se você confirmar e ficar com fama de lento, mas entregar o que se pede, é melhor do que ficar com fama de lento porque nunca consegue entender o que se pede...
Além disso há o desafio adicional de entrar na mente do chefe. Isso só se consegue com tempo, claro. E muita observação. Com o tempo vai se aprendendo qual a forma dele raciocinar, o que quer dizer com cada expressão, cada gesto. É um árduo exercício...
Vale uma boa conversa com alguém que trabalhe com o chefe há mais tempo, alguém de confiança que ajude a compreender o modus operandi do chefe. Ou simplesmente observar o modo como os mais experientes o abordam. Serve para aprender o que fazer e o que evitar. A observação sempre nos ensina algo, e perceber o humor do chefe antes de entrar em sua sala também vale à pena. Planejar seu discurso conforme o humor percebido pode ser interessante.
Se nada der certo, pode ser então que o problema não seja de comunicação e sim de compatibilidade... mas aí é outra história...

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Quantos números!

Posted by Flor de Lotus on 06:39

Vocês já pararam pra contar a quantidade de senhas que temos que saber hoje em dia? Quando eu era criança, achava o máximo aquelas cenas de filmes em que apareciam cofres e que as pessoas ficavam tentando descobrir o segredo. Na minha casa mesmo tem um cofre – que eu não uso porque não faço idéia do segredo... – e eu sempre fiquei fascinada com as maravilhas que os cofres dos filmes guardavam e com a importância de se ter que guardar um conjunto de números como esses. Bons tempos...

Hoje, ficou louca tentando lembrar todas as minhas senhas. É senha pro site de relacionamento, pro webmail, pra logar no windows, pro email do trabalho, pra intranet, pra entrar em sites de conteúdo... E no banco então? Senha do cartão, senha de internet, senha pro atendimento telefônico, senha de segurança, cartão de senhas, socorro! Eu, que sempre tive boa memória para telefones, agora não consigo decorar mais nenhum. Desconfio que é porque meu hd está cheio de senhas e não tem mais espaço para telefones, que ficam bem simpáticos armazenados na memória do meu celular. Aliás, a memória dele é mais pródiga que a minha, porque ele nunca troca os números como eu faço às vezes. E depois é um rebu, porque se a gente erra as senhas mais de uma vez, trava tudo e a gente não consegue acessar mais nada antes de uma séria dor de cabeça... Em geral temos que ligar pra algum atendente gerundista, que diz que vai estar solicitando uns dados para confirmar que eu sou eu mesma. Tudo isso é para a nossa segurança, eles dizem. E enquanto fico cada vez mais segura, fico também cada vez mais histérica com tantas senhas e esses atendimentos no gerúndio que seguem roteiros pré-estabelecidos e cujos atendentes parecem ser proibidos de pensar. É a modernidade, não é mesmo?

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Ainda sobre mudanças...

Posted by Flor de Lotus on 14:06

Meu amigo PRG, essa é uma questão complicada: quando a gente quer mudar e não consegue. Vou contar pra vc como foi comigo. Um dia eu percebi que estava muuuuuuito chata. Reclamava o tempo todo do meu emprego, me sentia sub-utilizada, achava que as pessoas não enxergavam meu potencial. Nem eu me aguentava mais, reclamando o tempo todo de como as pessoas eram injustas comigo por não me darem uma chance de mostrar do que sou capaz. E aí eu percebi que se lá as pessoas não me viam, não eram elas que estavma erradas, era eu. Ou eu tinha que me mostrar mais, ou eu tinha que achar quem quisesse me ver! Mas depois de um tempo o relacionamento esfria, né? Não adianta reinventar muita coisa, já há muitos vícios, muitos ruídos no meio. Então parti para a segunda opção. A minha primeira atitude foi pedir a ajuda de um amigo de RH para reformular meu currículo. A segunda foi comunicar! Comuniquei a todos amigos de empresas interessantes que estava em busca de um novo desafio. A terceira foi aparecer. Fui a alguns eventos, conversei, conheci pessoas diferentes, enviei muitos currículos. Fiquei de olho em todas as listas de emprego e mandei milhares de curriculos. Fiz vários processos seletivos. Encarei os momentos de desânimo, quando a gente acha que não vai ser capaz de conseguir nada, quando a gente até acredita que não é lá essas coisas... mas depois passa. O que importa é insistir.
Ocorreu um fato fundamental nesse meu processo. Fui fazer um teste de personalidade com uma empresa que queria me vender esse tipo de teste e fui cobaia para ver como era o esquema. Ao final tive uma entrevista com uma psicologa e ela se mostrou muito preocupada comigo. Quase se esqueceu de vender o tal teste. Ela disse que a minha tristeza vazava no teste e me perguntou o que estava acontecendo. Eu contei. Ela me disse que era o perfil do desânimo que eu estava levando comigo. Que ela podia ver que aquela não era eu, mas que era assim que eu estava me mostrando aos outros e que, talvez, esse fosse o motivo de eu não ir bem nas entrevistas que andava fazendo. Foi um balde de água fria, e eu acordei! Decidi que não ia mais me mostrar desanimada, que mostraria quem eu realmente sou, o meu potencial profissional. A esntrevista seguinte que fui, fui confiante. E consegui. foi um longo processo - durou 5 meses - e tive medo de não conseguir, claro! Mas a minha mudança de postura fez toda a diferença. Depois que consegui, claro, liguei para a psicóloga. Afinal, sem ela eu não teria me percebido.
Comigo foi assim: muita insistência e um pouco de conselhos para melhorar minha postura. Boa sorte pra vc!

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Admirável mundo novo

Posted by Flor de Lotus on 12:38

Queridos esquizofrênicos

Estou mudada! Claro que ianda estou em lua de mel com meu novo emprego, mas puxa, quanta diferença! Esse post é um conselho para os insatisfeitos: MUDEM! Não tenham medo, saiam da inércia.
Nada é perfeito, isso a gente sabe. Mas por vezes podemos encontrar um lugar onde sentimos uma sensação de pertencimento que é fantástica. É como se, finalmente, eu tivesse encontrado o meu lugar. Talvez por isso, com menos aborrecimento e mais trabalho, tenho escrito pouco. Mas logo, logo volto a observar as esquizofrenias e a contar para vocês. É como começo de namoro, a gente se isola um pouco e se dedica de corpo e alma ao novo amor, mas depois, aos poucos, vai voltando ao mundo real. Aguardem...

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