2

Dentista

Posted by Flor de Lotus on 12:51

Hoje Fui ao dentista, após alguns anos sem frequentar aquela cadeira. Antes que me julguem, deixem-me explicar. Da última vez que fui ao dentista, apenas para uma limpeza, fiquei 3 dias de licença depois de um jato de bicarbonato. Não sei se foi reação alérgica ou se o dentista acertou o jato direto na minha glândula salivar. O fato é que o lado esquerdo da minha cara inchou na hora, meu olho fechou, minha garganta também, e no trajeto do consultório até a minha casa assustei várias pessoas. Levou tempo praquele ar todo sair da minha cara (sim, porque quando eu pressionava minha bochecha, fazia shhhhhhhh) e eu fiquei traumatizada.

Entre minhas resoluções de ano novo decidi que era tempo de ir ao dentista. Fui mês passado fazer um orçamento e resolvi esperar o carnaval passar (nunca se sabe, melhor aproveitar os festejos antes de ficar de cara de Humpty Dumpty de novo). Hoje era o dia, e lá fui eu em pânico. Cheguei antes da dentista comecei a fantasiar que ela não iria. Estava indo embora quando ela chegou (!?!). Então pedi para ir ao banheiro antes e descobri que não tinha água. Pensei: oba, não tem água, não vai ser hoje! Pura ilusão, era só abrir o registro... Não teve escapatória, tive que sentar na maldita cadeira.

Meu objetivo ali era restaurar uma antiga obturação que infiltrou. Nunca tinha feito nada com anestesia antes, mas estava com tanto medo que resolvi tentar. Ocorre que já não sabia mais se estava com mais medo da restauração ou da anestesia. A dentista, muito boazinha e calma, foi me dizendo o procedimento. Eu ainda pedi um anestésico tópico antes da picada fatal. Ela passou um creminho e me senti mais confiante. Já estava quase relaxada quando: pimba! Veio a agulha e com ela uma espécie de choque. Um horror, só não desmaiei porque ela percebeu minha falta de cor e virou a cadeira, me deu água - que com minhas mãos trêmulas estava difícil de beber, imagina com metade da boca funcionando – e esquentou minhas mãos (que além de trêmulas estavam gélidas que nem o suor que escorria pelas minhas costas). O efeito da anestesia foi imediato (graças a Deus) e extenso (até meu ouvido anestesiou). Fui me acalmando aos poucos e ela pode trabalhar. Fiquei uma hora e meia de boca aberta, mas depois alcancei uma paz quase celestial enquanto o motorzinho trabalhava. Fiquei praticamente bêbada (sou fraca pra bebidas e, descobri hoje, pra anestesia também) e tive que me esforçar muito para achar o caminho pro trabalho. Tive um acesso de riso ao constatar que só sentia a água gelada em metade da língua e meti os dedos na boca pra ver se ainda tinha dentes.

Vocês devem estar rindo ou me achando retardada, mas foi exatamente assim que me senti. Sou fresca, em dado momento até derramei uma lagrimazinha, mas embora fresca não fujo da raia. Encaro: com quedas de pressão, lágrimas e tremeliques, mas encaro. É ou não é algum tipo de loucura? Acho que vou iniciar uma enquête: quem vai ao dentista feliz e relaxado? Quem não se incomoda com o barulho daquele motor? Será que não evoluímos o suficiente pra ter uma broca sem barulho? Eu cheguei a levar meu ipod, mas nem escutar direito do lado da anestesia eu conseguia. Enfim, um pouco de loucura assumida nessa segunda feira após o carnaval...

0

Frases para tempos de crise

Posted by Flor de Lotus on 08:29

"Minha grana tá curta que nem rabo de cotia"
(já passaram pelo campo de santana e repararam no rabo da cotia?)

"Pra quem não tem nada, metade é o dobro"
(faz sentido...)

"Malandro é o gato, que já nasceu de bigodes"
(eu nem sabia que pra ser malandro tinha que ter bigodes...)

0

A melhor frase do carnaval

Posted by Flor de Lotus on 06:02

Queridos, adoro carnaval, por isso me mantenho nesse tema... perdoem e divirtam-se.

Um repórter da Globo entrevistava o carnavalesco Milton Cunha antes de sua escola entrar na avenida e comentou sobre seu terno rosa. O carnavalesco disparou:

- Rosa não, é grená! Logo se vê que você não é bicha!

Pois é... O cara é uma figura! Vale uma conferida no blogue dele, chamado Buraco da Lacraia: http://odia.terra.com.br/blog/miltoncunha/

Só para atiçar a curiosidade, a ultima postagem dele é: 'Não crio juízo porque não sei o que ele come.....'

1

carnaval maluco

Posted by Flor de Lotus on 12:46

O carnaval acabou, embora o ano ainda esteja em compasso de espera até segunda feira... Pulei todos os dias e vi muita gente doida. Doida de cerveja, doida de droga, doida da vida... Doida de pular ou fantasiada de doida. Carnaval é época de liberação. Quem se esconde o ano inteiro sai do armário. Os tímidos se animam, os adultos viram criança. As músicas se repetem nos bailes, mas a gente nem liga, só canta como se fossem inéditas todas as marchinhas, todos os dias... E ainda tem desfile das escolas de samba. Minha filha diz que isso tudo é um desperdício de dinheiro. De fato é muita grana, mas a gente não quer só comida... E a festa encanta quem se dá ao trabalho de parar para ver. Claro que tem quem não curte e acha que samba enredo é tudo igual e que desfile é só bunda de fora e plumas. Eu não acho tudo igual, até aprendi alguns sambas esse ano e cantei a plenos pulmões toda vez que eles tocavam. E os blocos, que sucesso! Lotados em sua maioria. Zona Sul, Norte, Centro, tudo cheio de blocos. A prefeitura contabilizou 200, mas diz-se que foram mais de 400. Faltou banheiro público (o aroma das calçadas era enlouquecedor) e a Comlurb trabalhou como se fossem 4 dias de reveillon. Quem passou na Cinelândia depois do Bola Preta sabe do que estou falando... E o trânsito, hein? Um certo caos reinou no carnaval com tantos blocos se cruzando, mas quem liga? O que me irrita mesmo são os ambulantes com carirnhos no meio dos blocos, passando com as rodas em cima do pé da gente. Cadê o choque de ordem????? Muita loucura nesse tal de carnaval, né não? Mas vamos falar da Lapa. A Lapa teve dias de glória, com blocos, gente fantasiada e fila nas casas noturnas para curtir os bailes. Uma beleza! Bom, tudo isso era só pra dizer que esquizofrenia tem em todo lugar, basta olhar com atenção, e que depois do carnaval retomo os temas originais do blogue...

1

Carnaval

Posted by Flor de Lotus on 06:08

Vem chegando o carnaval, momento mais brasileiro do ano. A crise, tão real e próxima, parece não ter afetado os festejos dessa semana. As pessoas já andam agitadas pelas ruas, comprando fantasias e adereços ou preparando as malas. Os mais pessimistas, apenas comentam: enfim o ano vai começar. Com a festa, ao menos a economia pode respirar um pouco, pois diz a lenda que os turistas virão.

Pois é, no meio de tantos desempregos, dívidas e medo, fico me perguntando que fantasia vai colar esse ano. Temos alguns fortes candidatos – óbvios – como Obama e o mosquito da dengue. Não sei o que vai pintar de novo pelas ruas alegres da cidade, mas eu, que ando cada vez mais desmemoriada, arriscaria uma fantasia de post it. O problema é fazer os simpáticos papeizinhos amarelos resistirem colados à folia.

Algumas fantasias insólitas que vi podem se repetir, como grama (um vestidinho de grama artificial e uma placa de “não pise na grama”), rolo de papel laminado usado, táxi (nem é bizarro, só engraçadinho), remédio tarja preta, escova de dentes e outras coisas bizarras. Minha amiga Fofa, mestra das fantasias, disse que esse ano vai se fantasiar de peixe. Mas Fofa, o mar não está pra peixe! Cuidado, hein? Uma sereia seria mais romântico (eu sou incorrigível...), mas peixe também tem seu charme, né? Vamos ver se fica mais bonita que a Margarida do ano passado. Um esclarecimento: a Margarida em questão não é a flor e sim a namorada do Pato Donald.

Como eu não tenho a habilidade da Fofa para criar fantasias, vou seguindo com minhas asinhas de borboleta compradas ano passado e com a orelha de pantera cor de rosa mesmo... O que importa é que vamos pular e nos divertir na esperança que a crise comece a se diluir... Será que eu devia me fantasiar de esperança, aquele inseto bonitinho de asa verde???

2

Retalhos de Cetim

Posted by Flor de Lotus on 11:03

Reflexos da Crise Mundial (minha versão para Retalhos de Cetim…)

Trabalhei dobrado o ano inteiro
Várias vezes nem dormi
Gastei minha energia
Era muita agonia

Pra fechar um bom projeto
A proposta estava tão bonita
Era tudo que o cliente quis
Impressão especial
Eu ralei o mês inteiro
O cliente prometeu comprar

Mas chegou a crise mundial
E ele não comprou nada
Me danei, meu amigo me danei
Perdi o projeto, o emprego e tudo mais…

######################
O original:

Retalhos De Cetim

Ensaiei meu samba o ano inteiro,
Comprei surdo e tamborim.
Gastei tudo em fantasia,
Era tudo o que eu queria.
E ela jurou desfilar pra mim,
A Mangueira (Minha escola) estava tão bonita.
Era tudo o que eu queria ver,
Em retalhos de cetim.
Eu dormi o ano inteiro,
E ela jurou desfilar pra mim.
Mas chegou o carnaval,
E ela não desfilou,
Eu chorei na avenida, eu chorei.
Não pensei que mentia a cabrocha,que eu tanto amei

2

Dr. Laing

Posted by Flor de Lotus on 11:01

Recentemente, procurando uma referência no google, deparei-me com frases curiosas de um senhor. Fui procurar mais frases e ler sobre a vida dele e descobri que o senhor em questão – R. D. Laing – era um psiquiatra que estudava a esquizofrenia e propunha métodos diferenciados de tratamento. Tudo a ver com o blog, né? Cito algumas de suas frases e poemas para seu deleite.

1:“A vida é uma doença sexualmente transmissível, que tem cem por cento de taxa de mortalidade.”


2:“Eu não me respeito
Eu não posso respeitar a ninguém que me respeite
Eu só posso respeitar alguém que não me respeite
Respeito Lucio
porque ele não me respeita
Desprezo Luís
porque ele não me despreza
Somente uma pessoa desprezível
pode respeitar alguém tão desprezível quanto eu
Não posso amar alguém a quem desprezo
Logo, como amo Lucio
Não posso acreditar que ele me ama”

3:
"Eles estão jogando o jogo deles.
Eles estão jogando de não jogar um jogo.
Se eu lhes mostrar que os vejo tal qual eles estão,
quebrarei as regras do jogo
e receberei sua punição.
O que devo, pois, é jogar o jogo deles,
o jogo de não ver o jogo que eles jogam."

4:
“A sociedade valoriza os homens normais. Educa as crianças para se perderem e se tornarem absurdas e, assim, normais. Os homens normais mataram talvez cem milhões de outros homens normais nos últimos cinqüenta anos. (...)A identidade da pessoa não pode ser completamente abstraída de sua identidade-para-os-outros; de sua identidade-para-si-mesma; da identidade que os outros lhe atribuem; da identidade que ela atribui aos outros; da identidade ou identidades que julga que lhe atribuem, ou que pensa que eles pensam que ela pensa que eles pensam...”

5:“Identidade” é aquilo pelo qual a pessoa se sente a mesma, neste lugar, neste momento, como naquele momento e naquele lugar, no passado ou no futuro; é aquilo pelo qual se identifica.
Tenho a impressão de que a maioria das pessoas tende a achar que são os mesmos seres contínuos, desde o nascimento até a morte.
E esta “identidade”, quanto mais fantasiosa, tanto mais defendida será.

A “identidade” torna-se às vezes um “objeto” que alguém possui ou julga que perdeu e se põe a procurar.
Inúmeras fantasias primitivas estão ligadas à identidade e sua objetificação.
A busca de “identidade” tão freqüentemente hoje invocada não passa às vezes de um cenário de fantasia.

Intensa frustração resulta do fracasso na busca daquele “outro” exigido para o estabelecimento de uma “identidade” satisfatória”*.

*LAING, Ronald David. O Eu e os Outros. O Relacionamento Interpessoal. Tradução de Áurea Brito Weissenberg. Petrópolis, Vozes, Lisboa, Centro dói Livro Brasileiro, 1972.

Copyright © 2009 Esquizofrenia Corporativa All rights reserved. Theme by Laptop Geek. | Bloggerized by FalconHive.